Comunicado de Imprensa

Acesso a vacinas renova esperança dos refugiados em Angola

22 dezembro 2021

Em Março, o governo de Angola incluiu refugiados e requerentes de asilo na campanha nacional de vacinação contra a COVID-19 dando um exemplo de solidariedade e integração, em uma decisão que refletiu esforços de diálogo e cooperação do ACNUR, Agência das Nações Unidas para os Refugiados, do Gabinete da Coordenadora Residente do Sistema da ONU em Angola, da Organização Mundial de Saúde e parceiros.

O coração de Alphonsine Mayamba encheu-se de esperança quando soube pela primeira vez que refugiados e requerentes de asilo seriam incluídos no plano nacional de vacinação de Angola.

“Eu vi uma luz no fim do túnel”, diz ela ao dar as boas-vindas a outro grupo de refugiados recentemente vacinados para uma sessão de conscientização sobre a reação do corpo à vacina.

A refugiada congolesa de 20 anos é voluntária de saúde no assentamento do Lôvua, província da Lunda Norte, onde cerca de 6.800 refugiados congoleses estão acolhidos.

Legenda: Alphonsine Mayamba
Foto: ©UNHCR Angola/Manuel Mbunga

Alphonsine foi uma das primeiras pessoas do assentamento a ser imunizada contra a COVID-19 após o início da campanha de vacinação em Setembro.

“Antes de tomar a vacina, eu estava muito preocupada em contrair a COVID-19”, diz ela. “Parte do meu trabalho exige um contato regular com as pessoas. Mas agora que fui vacinada, me sinto mais protegida.”

O trabalho dela consiste em dar apoio psicossocial e aconselhamento aos refugiados para que possam conhecer e gerir com tranquilidade os sintomas após a vacinação.

Ao permitir o acesso de refugiados e requerentes de asilo às vacinas contra a COVID-19, o governo de Angola demonstrou que a inclusão dessas pessoas é parte relevante da resposta nacional. Esta decisão refletiu também os esforços de diálogo e cooperação do ACNUR, do Gabinete da Coordenadora Residente do Sistema da ONU em Angola, da OMS e parceiros junto às autoridades angolanas na capital Luanda e a nível provincial.

Mas muitos refugiados ainda estão incertos sobre tomar a vacina, pois a desinformação é abundante, levando muitos a questionar a existência da COVID-19 e eficácia da vacina.

“Alguns refugiados ainda estão muito hesitantes sobre a vacina por causa do medo e do que ouviram”, explica Alphonsine. “Meu tio, Muanza, era um deles.”

Muanza, 53, estava relutante em receber a vacina devido a informações negativas que recebeu de outros refugiados.

“Ouvi dizer que a doença afeta apenas as pessoas na Europa”, disse o líder comunitário. “Algumas pessoas até disseram que esse vírus pode ser tratado com os nossos remédios tradicionais, como os da gripe. Então porque devemos tomar a vacina? ”

Mas não demorou muito para que ele mudasse de ideia - sua filha de 18 anos, Hélène, contraiu COVID em agosto, fazendo com que o pai de dez filhos ficasse preocupado e procurasse ativamente informações confiáveis ​​sobre a segurança da vacina.

“Quando minha filha adoeceu, fui confrontado com a realidade”, explica ele. “Ganhei confiança depois de receber informações claras e precisas do ACNUR e também porque vi outros refugiados, incluindo minha sobrinha Alphonsine, serem vacinados e nada de mal aconteceu com eles.”

Agora Muanza, sua esposa e filha estão totalmente vacinados. Desde então, ele tornou – se um forte defensor da vacina e incentiva todos no assentamento a tomá-la sem receios, ao mesmo tempo que partilha a conscientização sobre o uso de máscaras, lavagem das mãos e o distanciamento social.

Legenda: Pai e filha vacinados
Foto: ©UNHCR Angola/ Manuel Mbunga

“Mais importante ainda, todos nós devemos ser vacinados, pois é a principal proteção contra COVID-19”, acrescenta.

Alphonsine está animada com o número de refugiados que mudaram de ideia, graças às campanhas regulares de conscientização.

Legenda: Sessão de conscientização do ACNUR
Foto: ©UNHCR Angola/ Manuel Mbunga

De acordo com a parceira de saúde do ACNUR, a Igreja Evangélica dos Irmãos em Angola (IEIA), 3.580 dos 4.000 refugiados foram vacinados no assentamento, bem como a comunidade anfitriã, até o final de Novembro.

Durante uma recente visita ao Lôvua, a Diretora Adjunta do ACNUR para o Escritório Regional da África Austral, Angèle Dikongue-Atangana, entregou certificados de vacinação contra a COVID-19 para refugiados recentemente vacinados. Ela agradeceu ao governo de Angola por incluir os refugiados no seu plano nacional de vacinação.

“Estou muito orgulhosa por ver refugiados recebendo seus certificados hoje como prova de que eles também foram vacinados junto com a comunidade anfitriã”, disse ela. “Programas de vacinação inclusivos são essenciais para conter a pandemia e proteger a todos.”

Refugiados e requerentes de asilo em áreas urbanas como Luanda também estão a receber a vacina, apesar da falta de documentação válida.

Mohamed, 46, recebeu a sua dose após sessões de sensibilização do ACNUR e parceiro, Serviço Jesuíta para Refugiados (JRS).

“Fui permitido ser vacinado mesmo sem a documentação válida de refugiado”, disse o requerente de asilo da Costa do Marfim. “É uma experiência de mudança de vida e mostra que podemos ser tratados com igualdade, como os nacionais.”

Vito Trani, Representante do ACNUR em Angola, saudou o gesto do Governo Angolano.

“Essa decisão ajudará a proteger a todos, independentemente de sua situação legal no país, contra a propagação da COVID-19. Também lhes dará a oportunidade de viver de forma mais saudável e produtiva possível neste novo normal”, afirmou.

Dos 16 países que fazem parte do escritório regional do ACNUR na África Austral, 11 incluíram explicitamente refugiados e requerentes de asilo em seus planos nacionais de vacinação.

Acesso a vacinas renova esperança dos refugiados em Angola

Manuel Mbunga, ACNUR em Angola

Manuel Mbunga

ACNUR
Assistente de Comunicação e Relações Externas

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

RCO
United Nations Resident Coordinator Office
ACNUR
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados
OMS
Organização Mundial da Saúde

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